
Eu gosto de sentir o cheiro das outras primaveras.
O teu, especialmente, teima vir com um vento ou outro lembrando minha máscara perdida.
Como segue doce teu cheiro...
Tão suave me faz procurá-lo no instante em que o sinto. Desparece.
Vez que outra no caminho de casa ou nos corredores do prédio enquanto levo meu trabalho a sério.
Meu Deus! Como te levei a sério...
Teu cheiro as vezes entra no elevador com qualquer outro alguém que não me chama a atenção. Sobe comigo e desce...e vai.
Se foi.
Vem e vai teu perfume doce e me faz adolescer efervescente. Rapidamente evapora.
Teu cheiro é volátil e me explode como explodiam aquelas primaveras em nós.
Teu cheiro é vivo e beija meus lábios e rouba beijos meus em público.
Ninguém vê. Eu sinto.
Teu cheiro não fica mais na minha pele como ficava depois que deitava sobre mim...
Teu cheiro.
Como pode teu cheiro de menino ainda me encontrar?
Que venham as primaveras.
Teu cheiro...
É puro desatino.

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